Confira a exposição “A outra África” no Museu de Arte Sacra de São Paulo

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Confira a exposição “A outra África” no Museu de Arte Sacra de São Paulo

O Museu de Arte Sacra de São Paulo – MAS/SP, promove a mostra “A outra África”, que traz mais de 300 obras como máscaras, estatuetas, joias, instrumentos musicais e objetos do cotidiano, que representam 29 etnias africanas. Esse conjunto é um recorte da Coleção Ivani e Jorge Yunes.

A exposição promove um novo olhar sobre o mundo ocidental, com seu conceito impreciso sobre o diferente, que criou sua própria definição, um tanto folclórica, sobre realidade e sociedades Africanas. A verdade a ser alcançada, está mais próxima, e não tão ambivalentes e contraditórias quanto o foram no passado, mas uma África mais acessível se acolhida em sua rica diversidade.

As peças da coleção foram agrupadas de acordo com alguns conceitos e/ou padrões, para melhor entendimento: Terracotas, Máscaras, Estatuetas, Joias, Armas, Instrumentos Musicais, Objetos do Cotidiano, itens destas técnicas e/ou materiais mostram um retrato visual de uma história além mar. Confira abaixo as explicações sobre alguns dos elementos que estão presentes na mostra:

Máscaras: O uso de máscaras na África tradicional, salvo raríssimas exceções, geralmente está ligado a algum rito específico. Divide-se, de modo genérico, em usos relacionados às práticas agrícolas, muitas vezes com festividades sazonais; a busca pelo aumento da fertilidade, seja dos seres humanos, seja da terra; a celebração de eventos memoráveis etc. – todas práticas que estariam de algum modo relacionadas à cultura de valorização da ancestralidade. O respeito e mesmo o culto aos ancestrais fundamentam a regularidade da natureza e o bem-estar da sociedade. Eles são uma manifestação central em muitas culturas do continente e por isso influenciam nos demais aspectos das sociedades africanas tradicionais, incluindo no uso de máscaras. A noção integral do uso de máscaras associada à figura do mascarado, seus paramentos, as músicas tocadas, as danças, os gritos e ritmos evocados nos lembra que a nossa percepção abstrata dos objetos de madeira chamados simplesmente de “máscaras” e colocados de forma anódina nas paredes dos museus resguarda muito pouco de seu sentido original. Mas dispostas ali com o objetivo de dirimir as nossas incertezas com relação a esses “mistérios africanos”, as máscaras, em sua potente abundância formal e simbólica, impõem a todos nós sentimentos ambíguos de mistério e admiração.

Estatuetas: Os ateliês de estatuetas africanas são em geral formados por núcleos familiares ou associações de especialistas do trabalho em diferentes tipos de materiais empregados na produção de objetos tridimensionais de usos variados. A matéria prima mais utilizada é de fato a madeira, mas não é incomum a produção de estatuetas com ligas metálicas, argila, barro, terracota, pedra, entre outros materiais. Embora as técnicas de cada um desses materiais variem de uma cultura para outra e de época em época, as ferramentas utilizadas para a execução desses objetos são equivalentes em termos espaço-temporais. Historicamente, ao se esculpir o objeto tradicional convencionou-se a identificação técnica no talhe a partir de um único bloco de madeira. Outro expediente artístico comum é o talhe de marcas étnicas como a escarificação. Além disso, muitos grupos recorrem à pintura da superfície da madeira, bem como, em alguns casos foi constatada a introdução de objetos metálicos e de outros materiais no interior de algumas estatuetas de poder. O estudo de estatuetas africanas revela o alcance de sua diversidade. Uma série de esculturas, objetos do cotidiano, joias e até máscaras não corresponderiam à categoria “religião”. Alguns objetos dessacralizados são descartados depois do uso ou ressignificados. Já outros, a exemplo dos implementos, cetros e armas podem ou não ser objetos de prestígio, elementos de altar de culto ancestral ou apenas objetos de uso prático – o que distingue as funções desses objetos de múltiplas chaves de classificação são mais os seus contextos histórico-culturais do que suas características físicas.

Joias: As joias africanas, desde os mais leves ornamentos produzidos com elementos simples da natureza até os mais intrincados e por vezes pesados objetos elaborados pela imaginação e pela inteligência humanas, manipulam técnicas, valores e saberes que são conservados, modificados e transmitidos comunitariamente de geração a geração. Sendo objetos de prestígio, de proteção ou de “poderes”, as joias da África conectam sensibilidades através de uma compreensão tácita do intercâmbio entre a finalidade prática do ornamento, o rigor exato da crença mágico-protetora e a noção de imersão, pelo olhar do outro, na totalidade do cosmos social. Assim, os objetos selecionados pelo curador seriam apenas pequenos exemplos dinâmicos de culturas particulares desta grande força motriz da adornagem que é universal.

Instrumentos Musicais: Do ponto de vista artístico, a África é melhor conhecida mundialmente por sua enorme genialidade musical. O recorte se estreita muito quando é reduzido a imensa variedade de estilos e ritmos do continente apenas aos instrumentos de percussão. Comum, a todos os povos de língua mande, como os soninquê do Senegal, os bamana e os marka do Mali, os diula e os ligbi da Costa do Marfim, os susu da Guiné, entre outros, o uso da harpa na cultura africana ocidental é milenar e está ligado aos rapsodos que visitavam as cidades cantando louvores, mitos e épicos históricos com a ajuda de instrumentos musicais. Dentre outros instrumentos, o olifante, produzido em osso, madeira ou marfim é também comum a diferentes povos africanos. Embora o seu uso em alguns aspectos seja “universal”, sendo tocado em festividades religiosas ou na saudação a autoridades, por exemplo, presas de elefantes trabalhadas artisticamente também desempenhavam papel importante no culto dos ancestrais da aristocracia do antigo Reino do Benin cujo apogeu se deu durante o séc. XVI.

Objetos do Cotidiano: O universo dos objetos do cotidiano vai desde sua fabricação, o estudo tecnológico e a observação das formas e usos de colheres, portas, fechaduras, tabuleiro de jogos, objetos caça, pesca entre outros. Desde o início das relações entre os europeus e os africanos em meados do século XV, objetos tradicionais do cotidiano africano foram levados aos milhares para a Europa. Seja como objetos de curiosidade ou objetos selecionados para classificação etnográfica, utensílios domésticos, implementos agrícolas, objetos de uso pessoal abarrotaram os gabinetes de curiosidade e, posteriormente, também os museus. Com o advento do modernismo, ainda durante o domínio do fator colonial, inúmeros artistas e intelectuais europeus passaram a fazer observações visuais sobre as peças. Apesar de serem aparentemente “corriqueiros”, revelaram em sua forma a destreza tecnológica e a sensibilidade artística africanas.

Serviço

Exposição: A outra África” – Coleção Ivani e Jorge Yunes
Curadoria: 
Renato Araújo da Silva
Período:
26 de janeiro à 22 de março de 2020
Local: Museu de Arte Sacra de São Paulo – www.museuartesacra.org.br
Endereço: Avenida Tiradentes, 676 – Luz, São Paulo (ao lado da estação Tiradentes do Metrô)
Telefone: (11) 3326-5393 – agendamento / educativo para visitas monitoradas
Horários: De terça-feira a domingo, das 9 às 17h | Presépio Napolitano: das 10 às 11h, e das 14h às 15h
Ingresso: R$ 6,00 (Inteira) | R$ 3,00 (Meia entrada nacional para estudantes, professores da rede privada e I.D. Jovem – mediante comprovação) | Grátis aos sábados | Isenções: crianças de até 7 anos, adultos a partir de 60, professores da rede pública, pessoas com deficiência, membros do ICOM, policiais e militares – mediante comprovação.
Número de obras: 303.

Fonte: Museu de Arte Sacra de São Paulo.

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