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Bairro - Freguesia do Ó

          A Freguesia do Ó foi fundada pelo bandeirante Manuel Preto em 1580, quando, com sua família e índios escravos, tomou posse daquelas terras. O local, inicialmente era apenas para descanso dos bandeirantes que acreditavam que o Pico do Jaraguá tinha ouro. O primeiro nome do bairro foi "Citeo do Jaragoá", e era compreendido desde o próprio pico, passando por onde hoje ficam Pirituba, o próprio bairro, Limão, Casa Verde até Santana.

          Em 1610, Manuel Preto, solicitou à sede da paróquia autorização para erguer uma capela em honra de Nossa Senhora do Ó, sua santa de devoção, que deu nome ao lugar. Em 1615 a obra foi finalizada e este foi o ano do primeiro registro oficial da existência do bairro.

          No início, a principal cultura era a de cana-de-açúcar para a produção de aguardente, que durante muitos anos foi seu negócio de maior destaque. Café, mandioca, algodão, milho e legumes eram outras culturas, porém, utilizadas para a subsistência. A importância da cana foi tamanha, que ainda hoje algumas casas conservam pequenas plantações em seus quintais.

          Em janeiro de 1901, foi inaugurada a nova igreja Matriz, que foi construída em razão de um incêndio que destruiu a antiga igreja, que se localizava no Largo da Matriz Velha. No Largo da Matriz Nova é onde encontramos mais facilmente edificações que remontam ao começo do século passado, inclusive com alguns casarões tombados pelo Condephaat. Em 1947 sofre alteração, quando foram criadas ruas para circulação de carros

          Hoje, Largo da Matriz Nova, temos vários bares e alguns restaurantes. Uma das mais antigas pizzarias da cidade se encontra neste local. Alguns bares são realmente muito freqüentados, apresentando um aspecto convidativo, com sua aparência antiga, para se ficar e encontrar os amigos. Criam uma referência de sociabilidade, renovando o uso deste casario. São quatro choperias que se instalaram em casarões antigos na parte baixa da Matriz Nova, onde quase todas têm música ao vivo e uma tem em seu cardápio pratos da cozinha alemã. Dentre eles, se destaca o Frangó, não apenas por ser o mais velho de todos, mas há anos o local se tornou um ponto de encontro de universitários, jornalistas, empresários e pessoas famosas

Curiosidades do Bairro

  •            O plantio de cana-de-açúcar sempre foi a principal atividade rural da região, até a metade do século XX, antes da expansão da urbanização da cidade. Inúmeros alambiques asseguravam a produção de fina cachaça, conhecida como caninha do Ó.
  •           Os moradores antigos do bairro tinham muitas relações com Pirapora do Bom Jesus, sendo tradicional a romaria anual a essa vila.
  •           A Chácara do Rosário (antigamente chamada de Vila Albertina, depois alterado por homonimia com outro bairro) era a antiga chácara de Dona Veridiana Prado, senhora de tradicional família paulistana e ligada à Semana de arte moderna de 1922. A antiga sede foi doada à cúria e transformada em seminário para formação de padres católicos. O restante da área foi loteado, com projeto topográfico do então jovem engenheiro Prestes Maia, depois prefeito da capital.
  •           A Escola de Samba Sociedade Rosas de Ouro, hexacampeã do carnaval, se situa no bairro, junto à Marginal Tietê.
  •           Na década de 1960 a população do bairro passava horas agradáveis no Cine Clipper, o único cinema da região que deu origem ao nome do largo mais conhecido da região comercial da Freguesia, o Largo do Clipper, a praça onde a maioria dos moradores conhecem. O apelido da praça sobrevive até hoje embora o Cinema não exista mais, e muitos nem ao menos saibam o verdadeiro nome do Largo (Oliveira Viana), ou sabiam também da existência deste cinema (especialmente os mais jovens), onde hoje está instalado um Banco.
  •           A Festa do Divino Espírito Santo, uma das mais tradicionais do calendário da Igreja Católica, faz da Freguesia do Ó uma das poucas localidas no Brasil onde ainda é celebrada esta Festa.
  •           No Largo da Matriz Velha ainda se mantém em pé um casarão construído pela família Ribeiro. Esta casa ainda pertence aos descendentes de Luís Ribeiro, pai da conhecida "D.Sulu" (Benedita Ribeiro Abrahão) e do senhor Lilico (Luís Benedito Ribeiro), antigo morador desta casa.
  •           O invocativo Ó tornou-se inspiração para a canção "Punk da Periferia", de Gilberto Gil. Além de que, no início dos anos 80, havia um reduto punk no Largo da Matriz Velha.
 
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